Própolis como fonte de renda na apicultura – Mercado Sustentável

Própolis como fonte de renda na apicultura

A produção de própolis é uma alternativa viável para os apicultores como subproduto das colmeias. Sua utilização na colmeia está relacionada à proteção, visto que as abelhas a utilizam como higienizador sobre as paredes internas do ninho, além de isolar animais invasores mortos, as quais têm dificuldade em retirar da colmeia. Outra função é a regulação térmica do interior da colmeia, realizada pela redução, e por muitas vezes, vedação por completo de aberturas da colmeia (NICODEMO et al., 2012).

O Brasil, que além de possuir uma flora apícola abundante e muito diversificada, agora também caminha para a obtenção de subprodutos apícolas e sua inserção no exigente mercado consumidor nacional e internacional, como própolis e pólen. A utilização da própolis está ligada principalmente a suas propriedades terapêuticas em humanos e animais, vinculadas às propriedades farmacológicas, sendo estudada e comprovada por diversas instituições de pesquisa ao redor do mundo (PORTILHO et al., 2013).

O principal importador de própolis do Brasil é o Japão que chega a pagar US$ 150 por um frasco de extrato alcoólico contendo 30g de própolis. Diante do consumo crescente, aliada à alta qualidade da própolis brasileira, sua produção deve ser encarada como importante possibilidade de alternativa de renda para o apicultor. Esse relatório apresenta ao empresário da cadeia apícola as técnicas de produção, classificação, coleta e uma análise desse mercado em âmbito internacional e nacional, com foco na comercialização de própolis.

Própolis: e seus benefícios para saúde

Própolis: Poderoso remédio natural

A palavra própolis, de origem grega, significa: pró = em defesa, e polis = cidade.

Ela é muito importante para a colônia que a utiliza para vedar frestas, isolar insetos e eventuais invasores que morrem no interior da colmeia, com o objetivo de impedir sua decomposição, além de recobrir superfícies irregulares em torno do interior e exterior da colmeia (PORTILHO et al., 2013).

Segundo Inoue et al. (2007), a própolis é classificada como resinosa, variando entre vários tons de cores, saindo do amarelo e aproximando-se do vermelho, havendo também relatos de tons negros. Sua elasticidade chama a atenção, podendo esticar-se sem rompimento em até 200%. Bastos et al. (2011) afirmam que a própolis recolhida de uma colmeia de abelhas, também conhecida como própolis bruta, tem em sua composição básica cerca de 50% de resinas vegetais, 30% de cera de abelha, 10% de óleos essenciais, 5% de pólen e 5% de terra e detritos de madeira. Esses valores se referem à espécie Apis mellifera L., cuja própolis é a mais estudada entre as abelhas, por sua maior difusão entre os apiários.

As resinas vegetais contidas na própolis são colhidas na vegetação em um raio de cerca de 4 km a 5 km aos arredores da colmeia, o que representa o alcance de voo de uma abelha A. melífera. Nesse voo, as abelhas campeiras coletam pólen e néctar para alimentação, bem como resina para a própolis (MENEZES, 2005). Sua coleta pelo apicultor geralmente ocorre por meio de raspagem das partes móveis da colmeia, porém essa técnica pode apresentar contaminantes como terra, lascas de madeira e outros materiais.

Com a intenção de proporcionar uma melhor qualidade da própolis, diversas técnicas têm sido desenvolvidas para fomentar sua produção, bem como a utilização de telas coletoras abaixo da tampa, coletor de própolis “inteligente” (CPI), dentre outros (INOUE et al., 2007). A produção de própolis no Brasil é estimada em torno de 100 toneladas anuais, produzida por mais de 10 mil produtores de própolis sendo grande parte destinada à exportação, tanto na forma bruta como em produtos manufaturados, alcançando elevados preços no comércio exterior e representando uma importante fonte de renda (SANFORD, 2004; INOUE et al., 2007).

 

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TÉCNICAS PARA PRODUÇÃO

Saiba mais técnicas para produtividade de própolis em:
www.mel.com.br/producao-de-propolis/

Os apiários destinados à produção de própolis devem seguir conceitos adotados quanto à instalação, localização e manutenção daqueles destinados à produção de mel ou de qualquer outro produto apícola. Obrigatoriamente as colmeias devem ser alojadas em locais com disponibilidade de:

Pasto apícola: com uma criteriosa escolha do local, problemas e limitações podem ser evitados. Para se obter o maior rendimento possível nos enxames, o local ideal deve apresentar proximidade e abundancia do pasto apícola, com a menor interrupção de floradas durante o ano.

Sombreamento: Dentre os fatores que contribuem para a baixa produtividade e elevada taxa de abandono de colmeias, destaca-se a falta de sombreamento nos apiários, nos períodos mais quentes do ano. Em sua ausência, é possível utilizar sombreamento artificial com sombrite, por exemplo, nos períodos de maior insolação.

Fácil acesso: Deve permitir a aproximação de veículos para transportar materiais, colmeias e o escoamento da produção. Além desses cuidados, como medida de segurança, deve-se respeitar no mínimo 400 metros de locais com aglomerações de pessoas e animais (casas, escolas ou estradas).

A COLHEITA DO PRÓPOLIS

O período de produção se intensifica normalmente quando há maior incidência de chuvas. A colheita do produto ocorre semanalmente, obrigatoriamente de 7 em 7 dias e cabe ao produtor simplesmente coletar a própolis e depositá-las em uma bandeja asséptica com tampa de pressão para a proteção do produto (MENDONÇA, 2011). Segundo Pereira et al. (2002), para colmeias com baixo índice de manejo, melhoramento genético ou ausência de troca de rainha, a produção pode variar entre 150 a 300 gramas/mês. No outro extremo, em que há manejo, melhoramento genético e intensificação da produção, a produtividade por colmeia pode superar 500 gramas/mês.

ARMAZENAMENTO

Após sua coleta, a própolis recém-colhida deve permanecer por no mínimo 24 horas em local arejado a fim de perder o excesso de umidade. Posteriormente a esse período, o material deve ser colocado em recipientes limpos e não tóxicos, como sacos ou recipientes plásticos, com identificação de data, local da coleta e apiário, até sua condução a um local adequado para limpeza, em que são retiradas todas as impurezas (abelhas mortas, madeira, folhas etc.). Após a primeira limpeza, a própolis dever ser acondicionada em sacos estéreis, transparentes e, se possível, lacrados a vácuo. Esses cuidados aliados ao armazenamento em freezer a -5ºC resulta na conservação por anos da própolis (PICKLER, 2009).

MERCADO

O interesse dos apicultores brasileiros na produção de própolis nas últimas décadas cresceu muito! No Brasil, um frasco de extrato alcoólico contendo 30g de própolis é comercializado, em média, a R$ 11 (ver Tabela 1), e pode chegar a custar US$ 150 em Tóquio. Embora o Brasil produza de 10% a 15% da produção mundial, esse alto valor agregado e a ótima qualidade da própolis brasileira, justifica o interesse japonês em nosso produto, além de esclarecer o motivo que nosso país atende a 80% da demanda japonesa (SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS, 2006).

A exportação da própolis brasileira para o mercado japonês é fortalecida por dois pontos:

  • A primeira em relação às suas características organolépticas, ou seja, propriedades que podem ser percebidas pelos humanos, além das ótimas propriedades farmacológicas.
  • Em segundo, devido ao menor teor de metais pesados e demais poluentes ambientais – pré-requisito para o exigente mercado importador (LUSTOSA et al., 2008).

O mercado apícola da própolis apresenta muitas oportunidades

(SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL, 2010):

  1. Consumidor final: que adquirirem para consumo próprio ou em família.
  2. Consumidor de negócios: empresas que compram, fracionam e comercializam em porções menores.
  3. Consumidor industrial: utilizam como ingrediente para fabricação de diversos alimentos, cosméticos ou produtos farmacêuticos, por exemplo.
  4. Consumidor de revenda: adquire de forma fracionada ou a granel para revender às indústrias ou empresas de fracionamento.
  5. Mercado atacadista: compram e revendem a redes varejistas.
  6. Consumidor governamental e do 3º setor: instituições que adquirem os produtos por meio de programas governamentais (merenda escolar, alimentação em hospitais, creches etc.).
  7. Mercado internacional: exportação para outros mercados, geralmente sob forma primária (sem beneficiamento).

Segundo Machado et al. (2012), os profissionais da área médica são os maiores responsáveis pelo crescimento do mercado interno da própolis brasileira. O novo comportamento de consumo não é somente voltado a simples apresentação na forma de extrato de própolis destinado ao consumidor final nas prateleiras, mas também baseado nas crescentes indicações desses profissionais a seus pacientes – confiança oriunda das crescentes pesquisas, que garantem e respaldam de forma técnico-cientifica os benefícios bactericidas, bacteriostáticas, antifúngicas, analgésicas, cicatrizantes, anti-inflamatórias, antioxidantes, entre outras. As exigências e o comportamento dos consumidores estão em constante modificação, forçando com que as empresas busquem aprimorar continuamente seus produtos também nesse setor.

Isso, se faz necessário conhecer as necessidades e desejos dos consumidores, oferecendo um produto final mais adaptado às necessidades e a seus gostos e hábitos de consumo. Analisando, inclusive, como compram, usam e avaliam o que consomem, é possível definir parâmetros que podem auxiliar a determinar estratégias frente a esse mercado, otimizando esforços e agregando valor aos produtos finais.

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Própolis e Seus Benefícios

CONCLUSÃO

A própolis brasileira se destaca mundialmente pela sua elevada atividade biológica terapêutica e preventiva, além de sua qualidade organoléptica e ausência de resíduos contaminantes.

O mercado vem demonstrando crescimento constante, em que além de empresas especialistas em exportação para o exigente mercado japonês, nosso principal importador, o consumo interno tem apresentado crescimento, principalmente voltado aos profissionais da área da saúde. Mas o bom atendimento ao mercado só é possível desde que o processo de produção, armazenamento e transporte até as indústrias esteja alinhado aos programas de segurança alimentar.

Nas últimas décadas, o grande número de pesquisas quanto a caracterização da qualidade da própolis brasileira e suas propriedades terapêuticas, vêm auxiliando o mercado consumidor a conhecer os benefícios do consumo regular desse alimento. Visto que a qualidade, procedência e preço são os atributos mais importantes preconizados pelo consumidor final. Dessa maneira, estima-se, que o consumo interno e externo aumente gradativamente, aliado a geração de pesquisas e resultados quanto à qualidade da própolis brasileira. É importante ressaltar que para a comercialização da própolis, o apicultor deverá fazer parcerias com entrepostos e outros tipos de empresas, como as indústrias de cosméticos e farmacêutica, para ter o escoamento de seu produto, além de realizar um pesquisa minuciosa sobre técnicas de produção, flora apícola disponível e sobre o mercado em sua região.

 

 

 

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FONTES

SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS DA BAHIA. Apicultura: uma oportunidade de negócio sustentável; Marco Antonio Dantas de Almeida; Corália Maria Sobral Carvalho. Salvador: SEBRAE Bahia, 2009. 52p. Disponível em: http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/BDS.nsf/E3CA0B10F1061D878325766300685F92/$File/NT00042B86.pdf> Acesso em: 13 Abr. 2013.
SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO AS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. Informações de mercado sobre o mel e derivados da colmeia – Série Mercados. Brasília: 2006. 243p.
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL (Senar). Abelhas Apis mellifera: instalação do apiário 2.ed. Centro Interamericano para el Desarrollo del Conocimiento en la Formación Profesional. Brasília: SENAR, 201.0. Disponível em: <http://www.oitcinterfor.org/sites/default/files/141_abelhas.pdf> Acesso em: 14 Abr. 2013
REVISTA O APICULTOR. Edição 70, Cascais, Portugal: Edicais – Edições e Turismo, 2012.
PICKLER, M. A. Defensividade, higiene, pro-dução de própolis e mel com duas gerações de A. mellifera. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Campus de Marechal Candido Rondon, Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Marechal Rondon, PR: 2009.
PEREIRA, A. S.; SEIXAS, F. R. M. S.; AQUINO-NETO, F. R. Própolis: 100 anos de pesquisa e suas perspectivas futuras. Scielo. Química Nova, v. 25, p. 321-326, 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422002000200021> Acesso em: 13 Abr. 2013.

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