Manejo do Fumigador X Africanização dos enxames

Importância e Manejo do Fumigador & Africanização dos enxames no brasil.

Saberia dizer o quão recente é o uso do fumigador como ferramenta essencial de segurança no apiário? Como observamos na apicultura brasileira, houve um período de implantação de abelhas africanizadas no Brasil, Em 1956. O geneticista Warwick E. Kerr, após voltar da Africa, relatou em seus estudos a alta produtividade das abelhas africanas e decidiu Introduzir las no Brasil. Até, então o Fumigador não tinha Real necessidade, e tão grandiosa importância.

No mesmo ano em 1956, Kerr e seus ajudantes iniciaram com as colmeias africanas em Rio Claro (SP), mas em consequência da retirada acidental das telas excluidoras das rainhas envolvidas no experimento, houve a libertação dos enxames africanos nas selvas, florestas e bosques da região. E assim começou a fase inicial de cruzamento dos enxames africanos da espécie (Apis mellifera scutellata) com as espécies Européias (Apis mellifera mellifera, Apis mellifera ligustica, Apis mellifera carnica), que apresentavam baixa produtividade e notavelmente mais mansas e doceis.

Fumigador - Fole Importância e Manejo do Fumigador - Africanização dos enxames no brasil.

Além do fator genético e nativo da agressividade na espécie Africana, gostariamos de comentar sobre outros fatores que podem contribuir para o comportamento hostil do enxame, tais como:

  • intensa movimentação próxima ao apiário,
  • manejo próprio ou aproximação acidental,
  • contato do enxame com odores químicos,
  • utilização de cores escuras no manejo,
  • fatores ambientais como vento, chuva,
  • tempo instável, proximidade de animais domésticos ou selvagens,
  • utilização de fumaça em excesso ou aplicada de forma débil ou ineficiente durante o manejo.

* Descubra mais sobre a vestimenta do apicultor no post: Vestimenta e Fumigador

Manejo da Fumaça no apiário

A função da fumaça próxima à colmeia é fazer com que o enxame imagine um foco de fogo próximo ao ninho, com isso a população entra em alerta e após uma rápida comunicação tentam se organizar para uma possível fuga, ingerindo mel armazenado nos favos, se organizando, caso seja necessário, a construção de um novo ninho. Com as vesículas melíferas (papo) cheias, as abelhas ficam impossibilitadas de contrair o abdômen, o que não permite a ferroada, além de ficarem mais pesadas e voarem com maior dificuldade e menor velocidade (CAMARGO, 2002).

A utilização do Fumigador deve ser utilizada de maneira Sensciente, ou seja através dos nossos 5 ou mais sentidos e com nossa capacidade de Sentir o enxame.

Não é fácil em uma primeira vez, mas os apicultores com humildade e prática aprendem a trabalhar em sincronia e harmonia com a coletividade do enxame. A importância de uma boa e atenta fumegada, faz toda a diferença durante o serviço. As abelhas por mais que se encontrem em estado de alerta, ficam acalmadas e de pronto tranquilizadas com a efetiva e constante fumaça sendo gerada.

Trata-se de um equipamento para proteção e indispensável no manejo de apiários. Um bom apicultor utiliza o fumigador para proteger primeiramente as abelhas, evitando a todo custo uma numerosa morte desses insetos e ao mesmo tempo possibilitar um trabalho com segurança e tranquilidade para ambos os lados. Como regra, o material de combustão deve ser inócuo (não contaminante), para não irritar ou possivelmente intoxicar as abelhas ou o mel, própolis ou pólen. Os melhores materiais para ascender e manter o fóle (Fumigador) operando com qualidade superior são folhas secas, o pó de serra e a serragem. Para trabalhos mais extensos de coleta, é recomendado que leve um saco grande com estes materiais. A melhor fumaça é a branca, condensada e fria, livre de calor e elementos em brasa.

UTILIZAÇÃO DA FUMAÇA

Com o fumigador acesso antes de chegar ao apiário, recomenda-se que no mínimo duas pessoas realizem o manejo, uma responsável pela aplicação da fumaça e outra realizando as aberturas e vistorias das colmeias, resultando em um manejo mais rápido, eficiente e seguro. Durante o manejo, o fumigador deve estar posicionado na lateral ou atrás da colmeia, nunca direcionando a fumaça diretamente nos quadros.

Sua aplicação deve ser lenta, com “baforadas” pequenas, porém constantes e em paralelo a superfície da melgueira, devendo ser aplicada a pelo menos 20 cm de distância das grandes névoas de abelhas, sempre livre de fuligem. Deve-se entender que a fumaça impede a comunicação e disfarça os feromônios de alerta entre as abelhas, como o isopentil-acetato, diminuindo assim seu instinto de ataque e conclusivamente sua agressividade, além de diminuir o odor do apicultor, encarado pelo enxame como uma ameaça (MOURA, 2010).

COMO ASCENDER

O fumigador deve estar aceso antes de chegar ao apiário. Para o acender precisa-se duma fonte de ignição e material de combustão. Pode-se recorrer a fósforos, isqueiros e/ou maçaricos para obter chama. Estes últimos são práticos se as condições climáticas são adversas e/ou os materiais de combustão se encontram úmidos. Quanto ao material de combustão há uma grande gama de materiais naturais, tal como folhas secas do eucalipto, serragem, palha de milho, bosta seca das vacas, casca dos eucaliptos…

O fumigador deve ser carregado com suficiente material para evitar ao máximo o número de recargas durante as operações apícolas. Ter que parar a operação para acender novamente o fumigador é desvantajoso porque pode dar lugar a picadas desnecessárias. Deve-se evitar o uso de materiais com produtos tóxicos na sua composição tais como cartão, tecidos sintéticos, elementos inflamáveis… pela liberação de fumos escuros e tóxicos, prejudiciais para a saúde do operador, das abelhas e o risco de contaminação dos produtos da colmeia.

Uma vez aceso o fogo adiciona-se o material combustível escolhido, sempre ajudando-se com o fole. O objetivo consiste em conseguir um fumo denso, branco e fresco. Para tal efeito, adiciona-se a mistura, matéria verde cuja combustão liberte vapor de água e aroma agradável para as abelhas. Se o fumo for quente poderia ferir as abelhas, queimando asas e outras partes externas do corpo do animal. Se o aroma for desagradável para os insetos, estes poderiam reagir de forma que o apicultor não se sinta cómodo no maneio apícola. Para aumentar a vida útil do fumigador, recomenda-se evitar o uso de materiais que produzam brasas tais como troços de madeira. Também deve ser descarregado ao final de cada operação.

DICAS DE SEGURANÇA

Nunca faça nenhuma inspeção sem roupas ou sem Fumigador. E sempre que trabalhar com o Fumigador, é importante que o apague em um lugar seguro. Areia, ou Água e de preferência longe de crianças e animais domésticos que podem se lastimar com as brasas ainda ativas deixadas a serem apagadas, na limpeza de seu Fóle. Transporte o Fumigador sempre dentro de uma melgueira ou caixa que o tenha bem firme para que não cause incêndios ou danos no veículo. Traga sempre um extintor ou alguns galões de água para que se apague qualquer foco de fogo, que possa se alastrar e causar dano a nossas florestas, selvas, bosques.

E sempre que tomar muitas picadas nas mãos, tomará muitas mais pois a abelha emite um forte feromônio em sua aplicação do ferrão, e isso atrai muitas abelhas mais para que ataquem aonde esta este feromônio. Então a medida de prevenção nesta situação seria aplicar a fumaça nas luvas e nas áreas aonde esta sendo muito atacado.

Encontre outras informações sobre o fole e segurança no apiaário em: vestimenta de segurança do apicultor

 

 

Fontes:

MOURA, S. G.; Produção de mel com qualidade. (Tese) Pós- Graduação em Ciência Animal do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Piauí. Teresina, PI, 2010. Disponível em:<http://www.ufpi.br/subsiteFiles/ciencianimal/arquivos/files/Tese%20Sinevaldo.pdf >. Acesso em: 15 jun. 2013.
OLIVEIRA, M. E. C. et al.; Manejo da Agressividade de Abelhas Africanizadas. Série Produtor Rural, ESALQ, Piracicaba, SP, n. 53 2010. Disponível em:<http://www. esalq.usp.br/biblioteca/PUBLICACAO/SP53/Manejo_da_Agressividade_da_Abelhas_Africanizadas.pdf >. Acesso em: 15 jun. 2013.
CAMARGO, R. C. R. Boas práticas de manipulação na colheita do mel. Comunicado Técnico. Teresina, PI: Embrapa Meio-Norte, n. 140, 2002. ISSN: 0104-7647. Disponível em: <http://www.cpamn.embrapa.br/publicacoes/comunicado/2002/CT140.pdf>. Acesso em: 15 jun. 2013.

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